A compreensão de que estamos todos conectados numa rede invisível e universal nos coloca a necessidade de preservar a humanidade do homem, defender a vida e a Mãe Terra. Mãe boa. De onde tudo brota e para onde tudo volta. Mas que demanda cuidados. oferendas. dádivas. Cecab Ancestral se propõe a disponibilizar e divulgar ensinamentos de nossas ancestralidades ameríndias, africanas,afro-brasileiras e universal. E assim a tradição permanece. Ela vem de antes e vai seguir em frente.

sábado, 4 de agosto de 2012

XINÃYA :TATÁ UM SÁBIO DA FLORESTA




O documentário "Xinãya: Tatá um Sábio da Floresta" registra conhecimentos milenares do 
povo Yawanawa, do ponto de vista de um dos dois únicos anciões ainda vivos na comunidade, o pajé conhecido como Tatá, com seus 86 anos, morador da aldeia...
Mutum, na Terra Indígena Yawanawa do Rio Gregório, Acre.

Através de sua história de vida e seu aprendizado com grandes pajés que vivenciaram os tempos em que os Yawanawa ainda viviam em malocas, Tatá irá compartilhar, na língua nativa Yawanawa, histórias da mitologia do povo, como surgiram e viviam antes, seus costumes, pinturas, modos de plantio, rezas e pajelanças, a iniciação dos pajés, o uso das plantas medicinais, batismos e cantorias do mundo dos antigos, que hoje, ainda pouco se tem conhecimento entre os jovens da aldeia.

Diante da relevância de se registrar urgentemente pela primeira vez os ensinamentos do pajé Tatá, a Associação Sociocultural Yawanawa em parceria com o IGF Instituto Guardiões da Floresta, vem propor a produção do documentário Xinãya:Tatá um Sábio da Floresta, que manterá estes conhecimentos para sempre vivos dentro do povo Yawanawa e será responsável por uma atualização da memória cultural deste povo, aonde professores indígenas, aprendizes de pajé, pais e jovens poderão se embasar para resgatar sua ancestralidade e manter suas tradições.

“A importância de nós, Yawanawa, estarmos aqui dentro desta floresta, preservando e cuidando de tudo, desde os nossos ancestrais, é uma missão que a gente vem segurando com muita responsabilidade até hoje.

Depois do contato com o homem branco, nós tivemos muitas perdas de cultura e costumes tradicionais. Quando os missionários entraram nas nossas terras diziam que tudo o que o pajé fazia, uma cura para uma pessoa ou quando ele usava o vaso de cerâmica para fazer um tratamento espiritual, eles falavam que aquilo não era bom, que estávamos usando uma força muito negativa e que não era bom para o nosso povo. Então muitas coisas mudaram, muitas coisas ficaram diferentes. O povo não quis mais saber de tomar nossa bebida sagrada, de tomar o rapé, de fazer dieta... de lembrar a importância que tem nosso povo, e isso foi muito triste.

Mas depois de um tempo, nós começamos a ver a importância de manter este conhecimento vivo e quando a gente foi perceber, neste momento, a gente tinha apenas três homens sábios ainda vivos dentro do nosso povo: meu pai, o Tatá e o Yawarani.

No ano passado meu pai faleceu, e nós tivemos uma perda muito grande, principalmente porque a maioria não aprendeu todo aquele conhecimento que ele tinha. Ele já havia falado muitas vezes, ele tinha muitas visões, dizia que o povo que não tem sua tradição, educação e sem os seus costumes espirituais, ele é um povo morto, um rio sem peixe, uma floresta sem animais, é um vazio. Para o povo ser forte, guerreiro, deixar sua história e continuar como povo, tem que estar firme na sua cultura.

Hoje, ainda restam dentro do povo Yawanawa inteiro, apenas dois pajés muito fortes, o Tatá, que mora aqui na aldeia Mutum, e o Yawarani, lá na aldeia Nova Esperança, mas eles já estão muito velhinhos e nossa preocupação é que este conhecimento se perca em pouco tempo, porque a nossa vida é como uma luz, a qualquer momento pode se acabar.

Como seria se a gente perdesse tudo isso agora?

Nós recebemos uma mensagem da floresta, vinda dos nossos guias espirituais, dizendo que a gente tem que aproveitar estes momentos que o pajé Tatá ainda tem de vida.

E hoje, existe uma facilidade, do povo branco, não em nós, com materiais que a gente pode gravar. A gente pode manter isso, pode registrar todo o conhecimento do pajé e manter dentro do nosso povo. A gente guardando isso, a gente vai manter para sempre estes velhos no nosso meio. Estes conhecimentos podem passar pra nós e com eles a gente poderá dar continuidade ao nosso povo, educando, mantendo nossa espiritualidade, mantendo nossa floresta viva como ela sempre foi.

Então nós nos preocupamos muito com tudo isso, porque temos apenas dois velhos e precisamos muito deles. Já tivemos muitas perdas e a nossa mensagem não é deixar isso só para os Yawanawa, mas também levar esta mensagem da floresta, esta energia boa, para as pessoas verem, e o mundo inteiro sentir qual a importância de mantermos tudo isso vivo. Esta é a nossa mensagem.” (Matsini Yawanawa, jovem liderança.)


Fonte: Instituto Guardiões da Floresta

Um comentário:

  1. Por gentileza gostaria de pedir ao administrador desse blog que retire com urgencia o material do Filme do Tatá, Xinãya, pois esse teaser ainda nao está finalizado corretamente, podendo nos causar problemas judiciais... gratidão.... por amor....
    Coordenação de Comunicação Instituto Guardiôes da Floresta

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